sábado, 24 de setembro de 2011

Roquette faz aniversário.

Roquette Pinto faria aniversário neste domingo.

Penso naqueles radialistas que estão em outras profissões por não terem mais o espaço em rádio. Deve ser difícil ter experimentado e ter que se dedicar a outra coisa por não poder esperar uma recolocação. Radialistas com filhos e contas para pagar não podem esperar. Outros, do rádio, não querem nem falar! Preferem esquecer. Estão bem assim.

Alguns não podem voltar, pois seus vencimentos atuais são maiores que seriam no rádio.
Se pudessem escolher, se bandeavam para o rádio, mas neste caso a razão tem que falar mais alto. De certa forma, estão bem.


Ha também aqueles que querem voltar e sonham com o clima dos estúdios, com as reuniões de criatividade, com o cafezinho no corredor, com as mesmas brincadeiras que nunca perdem a graça, sonham com os ouvintes que viram fieis, com "os malas" que aparecem na portaria e pedem pra ir ao estúdio, sonham com o reconhecimento dos ouvintes em uma programação bem feita, com uma promoção bem realizada, com o cansaço que não da trégua nos fins de semana, com tudo que o rádio tem de bom ou não. Esses não estão bem.

Esses estão com saudade de uma coisa que provaram de um amor incompreendido e não correspondido. Querem voltar e querem carinho do rádio. Amor não correspondido dói. Quantos radialistas convictos (e bons profissionais) estão parados a espera de uma volta gloriosa? Conheço alguns.

Traumas todos têm. Trazemos traumas em nossa história, uns traumas contados outros vividos. Trauma de estar na rádio no dia em que Haroldo de Andrade foi dispensado sem piedade, trauma de uma sexta ensolarada ser dispensado depois de uma década de suor. Trauma de ver uma emissora vendida, de ver amigos pedindo emprego.

Os radialistas são artistas e pensam como tal. Somos todos uns "babacas", mas até aí tudo bem, pior foi quando o patrão descobriu que realmente éramos uns "babacas". Radialistas são inteligentes por desejarem a felicidade e burros por não saberem viver sem o rádio. Uns ouvem rádio para ficarem perto dele, outros gravam comerciais porque o mercado publicitário é mais amistoso.

Imagino aqueles que nos abriram as portas desde que se viram numa profissão sem reconhecimento, sem hora pra sair, sem valores mínimos de mercado, sem teto e sem dinheiro para ir pra casa dormiram nas emissoras e acordaram sorrindo. Obrigado por nos deixar um rádio mais profissional, mais humano.

Nós da Escola de Rádio respiramos rádio e criamos profissionais que vão desenvolver ainda mais nosso meio. Vejo em nossos alunos um rádio moderno e criativo.

Agradeço ao passado glorioso que os profissionais fizeram, agradeço pelo presente que estamos fazendo e aposto num futuro melhor para os radialistas que virão. Se você gosta do rádio, vá em frente, ouse, tente, sofra e levante, persista e consiga.

Roquette fez mais que devia. Acreditou e lutou para que o rádio tirasse o atraso da cultura e levasse mais dignidade para um povo até então acorrentado. Faltam Roquettes, hoje.
Não desista de seu sonho: As soluções quase sempre estão disfarçadas de problemas insolúveis.


Roquette faz aniversário.

Roquette Pinto faria aniversário neste domingo.

Penso naqueles radialistas que estão em outras profissões por não terem mais o espaço em rádio. Deve ser difícil ter experimentado e ter que se dedicar a outra coisa por não poder esperar uma recolocação. Radialistas com filhos e contas para pagar não podem esperar. Outros, do rádio, não querem nem falar! Preferem esquecer. Estão bem assim.

Alguns não podem voltar, pois seus vencimentos atuais são maiores que seriam no rádio.
Se pudessem escolher, se bandeavam para o rádio, mas neste caso a razão tem que falar mais alto. De certa forma, estão bem.


Ha também aqueles que querem voltar e sonham com o clima dos estúdios, com as reuniões de criatividade, com o cafezinho no corredor, com as mesmas brincadeiras que nunca perdem a graça, sonham com os ouvintes que viram fieis, com "os malas" que aparecem na portaria e pedem pra ir ao estúdio, sonham com o reconhecimento dos ouvintes em uma programação bem feita, com uma promoção bem realizada, com o cansaço que não da trégua nos fins de semana, com tudo que o rádio tem de bom ou não. Esses não estão bem.

Esses estão com saudade de uma coisa que provaram de um amor incompreendido e não correspondido. Querem voltar e querem carinho do rádio. Amor não correspondido dói. Quantos radialistas convictos (e bons profissionais) estão parados a espera de uma volta gloriosa? Conheço alguns.

Traumas todos têm. Trazemos traumas em nossa história, uns traumas contados outros vividos. Trauma de estar na rádio no dia em que Haroldo de Andrade foi dispensado sem piedade, trauma de uma sexta ensolarada ser dispensado depois de uma década de suor. Trauma de ver uma emissora vendida, de ver amigos pedindo emprego.

Os radialistas são artistas e pensam como tal. Somos todos uns "babacas", mas até aí tudo bem, pior foi quando o patrão descobriu que realmente éramos uns "babacas". Radialistas são inteligentes por desejarem a felicidade e burros por não saberem viver sem o rádio. Uns ouvem rádio para ficarem perto dele, outros gravam comerciais porque o mercado publicitário é mais amistoso.

Imagino aqueles que nos abriram as portas desde que se viram numa profissão sem reconhecimento, sem hora pra sair, sem valores mínimos de mercado, sem teto e sem dinheiro para ir pra casa dormiram nas emissoras e acordaram sorrindo. Obrigado por nos deixar um rádio mais profissional, mais humano.

Nós da Escola de Rádio respiramos rádio e criamos profissionais que vão desenvolver ainda mais nosso meio. Vejo em nossos alunos um rádio moderno e criativo.

Agradeço ao passado glorioso que os profissionais fizeram, agradeço pelo presente que estamos fazendo e aposto num futuro melhor para os radialistas que virão. Se você gosta do rádio, vá em frente, ouse, tente, sofra e levante, persista e consiga.

Roquette fez mais que devia. Acreditou e lutou para que o rádio tirasse o atraso da cultura e levasse mais dignidade para um povo até então acorrentado. Faltam Roquettes, hoje.
Não desista de seu sonho: As soluções quase sempre estão disfarçadas de problemas insolúveis.


domingo, 11 de setembro de 2011

O mesmo companheiro com roupas diferentes

Uma oficina mecânica pode ser um bom exemplo de como o rádio é "processado" do estúdio ao receptor. Explicando: O que encontramos em uma oficina mecânica? Máquinas e ferramentas que fazem barulho. Como esse barulho convive com o rádio ligado? Brigando o tempo todo. A buzina tocando, motor roncando e ferramentas caindo ao chão enquanto o locutor transmite a previsão do tempo. Quem vai ouvir o rádio? O ouvinte interessado. É isso!
Desde que o rádio ficou pequeno, com a invenção do transistor, saindo de casa em formato de radinho a pilha, deixou de ser o centro da atenção e passou a ser um verdadeiro companheiro na rotina dos ouvintes. Não era mais necessário ficar atentos e escutar o rádio em formato de mobília na sala de casa, pois a vida ia passando e o rádio tocando. É assim até hoje.
As transformações chegam e nos adaptamos a ela. Umas sobrevivem e outras não.
Lembrei da oficina lá de cima porque esta semana parei em uma padaria e os funcionários estavam atendendo os clientes com a TV a cabo no canal de áudio. Onde antes havia um rádio ligado hoje temos uma TV transmitindo rádio, celular com FM, internet com suas milhares de rádio web e outras geringonças que também irradiam música e informação. Não deixa de ser rádio!
Perguntei se é sempre assim e o rapaz respondeu: "Ontem colocamos música italiana o dia inteiro. Hoje é música de novela".


O mesmo companheiro com roupas diferentes

Uma oficina mecânica pode ser um bom exemplo de como o rádio é "processado" do estúdio ao receptor. Explicando: O que encontramos em uma oficina mecânica? Máquinas e ferramentas que fazem barulho. Como esse barulho convive com o rádio ligado? Brigando o tempo todo. A buzina tocando, motor roncando e ferramentas caindo ao chão enquanto o locutor transmite a previsão do tempo. Quem vai ouvir o rádio? O ouvinte interessado. É isso!
Desde que o rádio ficou pequeno, com a invenção do transistor, saindo de casa em formato de radinho a pilha, deixou de ser o centro da atenção e passou a ser um verdadeiro companheiro na rotina dos ouvintes. Não era mais necessário ficar atentos e escutar o rádio em formato de mobília na sala de casa, pois a vida ia passando e o rádio tocando. É assim até hoje.
As transformações chegam e nos adaptamos a ela. Umas sobrevivem e outras não.
Lembrei da oficina lá de cima porque esta semana parei em uma padaria e os funcionários estavam atendendo os clientes com a TV a cabo no canal de áudio. Onde antes havia um rádio ligado hoje temos uma TV transmitindo rádio, celular com FM, internet com suas milhares de rádio web e outras geringonças que também irradiam música e informação. Não deixa de ser rádio!
Perguntei se é sempre assim e o rapaz respondeu: "Ontem colocamos música italiana o dia inteiro. Hoje é música de novela".