sábado, 17 de janeiro de 2009

Rádio Digital. Resposta da ABERT.

Jornalismo com responsabilidade. É isso que faculdades ensinam ou deveriam ensinar aos que publicam matérias específicas. No caso da matéria da desistência de Hélio Costa sobre o HD Rádio ( Rádio Digital ), o jornalista deveria ter se informado primeiro sobre o que é o Rádio Digital. Como foi publicada no O Estado de São Paulo, a matéria parecia inquestionável, mas ao que tudo indica, era tudo falta de informação mesmo. Ao menos temos ainda a possibilidade de ter o HD Rádio no Brasil sem precisar torcar nossos aparelhos receptores. Leia a matéria publicada pela Abert - Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão :

No dia 29 de dezembro, o jornal O Estado de S. Paulo publicou matéria intitulada "Hélio Costa abandona projeto de Rádio Digital". Além de questionar a decisão do ministro de implementar a nova tecnologia de Rádio no país, o autor do texto, jornalista Ethevaldo Siqueira, é impreciso sobre a posição da Abert em relação ao padrão Iboc e sua versão HD Radio, da empresa Ibiquity dos Estados Unidos.Diante da necessidade de reparar os equívocos da matéria, a Abert - Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão esclarece aos seus associados que:

1. O conteúdo do artigo "E o Rádio Digital? Uma análise responsável", assinado pelo ministro Hélio Costa, em O Estado de Minas (dia 21 de dezembro de 2008), citado pelo jornalista como fonte de sua matéria, não confere com as informações veiculadas.

2. No artigo, o ministro Hélio Costa faz uma análise da implantação do Rádio digital no mundo e anuncia que irá indicar as "ferramentas que devem compor a arquitetura do Rádio Digital", ou seja, refere-se à consulta pública anunciada para 2009 que irá prever as exigências para o novo sistema.

3. Em 2007, o ministro das Comunicações solicitou à Abert a realização de testes do padrão Iboc (In-Band On-Channel, na mesma faixa, no mesmo canal), e recomendou o acompanhamento de uma instituição de reconhecida competência técnica. A Abert contratou a Universidade Presbiteriana Mackenzie para, por meio de seu Laboratório de Rádio e TV Digital, elaborar a metodologia e realizar os testes dentre as emissoras autorizadas a experimentar o padrão, com base nos guias emitidos pela Anatel. A instituição havia desenvolvido os testes para o Sistema Brasileiro Terrestre de TV Digital (SBTVD).

4. Os testes e estudos com o padrão Iboc foram executados durante nove meses, em quatro emissoras comerciais - duas OM e duas FM -, dentre as 20 Rádios já autorizadas pela Anatel a operar em caráter experimental. O trabalho contou com a contribuição da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) e de Associações Estaduais de Emissoras de Rádio e Televisão.

5. A Abert considera o Iboc o padrão mais adequado para o contexto da radiodifusão brasileira. Por isso, optou por testá-lo. As suas principais vantagens são:- não exige destinação de nova faixa de freqüência;- adapta-se às características atuais das estações, possibilitando uma transição suave da tecnologia analógica para a digital;- pode ser implementado tanto nas emissoras de onda média (OM) como nas de freqüência modulada (FM); e- permite a utilização da mesma infra-estrutura de transmissão existente nas estações.

6. Apesar disso, os testes indicaram que o sistema HD Radio deve ser aperfeiçoado, pelas seguintes razões:- o sistema HD Radio, no atual estágio de desenvolvimento tecnológico, melhora o desempenho com relação à modulação analógica, mas na faixa de OM ainda demanda melhorias na robustez; e- mesmo já tendo sido adotado oficialmente em seu país de origem, o sistema continua em processo de evolução e deverá desenvolver versões mais robustas, mais imunes ao ruído urbano, crescente nos grandes centros.

7. A Abert, entretanto, continua defendendo a digitalização do Rádio brasileiro e reforça o entendimento sobre a adequação do padrão Iboc. Eis mais algumas das razões:
- as emissoras podem operar em seu próprio canal, o que não implica em planejamento de canais, possibilita o aproveitamento da planta tecnológica instalada e reforça a fidelização do público ouvinte;
- o público ouvinte continua a sintonizar sua Rádio no sistema analógico, sem a necessidade imediata de adquirir novos receptores, já que as transmissões híbridas permitem a simultaneidade dos sinais analógico e digital; e
- cada radiodifusor poderá iniciar a transição conforme sua disponibilidade e estratégia.

8. Para 2009, espera-se a realização da consulta pública, anunciada pelo ministro das Comunicações em audiência para a entrega do relatório dos testes do padrão Iboc, em dezembro último, com a presença de representantes do segmento da radiodifusão e da Universidade Mackenzie. A consulta permitirá aos fabricantes apresentarem seus sistemas e, ao governo brasileiro, definir as características e pré-requisitos que melhor atendam ao interesse público e à necessidade de atualização tecnológica das emissoras de Rádio.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Quadros de Victor Jobim

Não posso deixar de colocar aqui uma pequena prévia do que será a exposição de Victor Jobim. O mundo do rádio mais colorido. As telas variam de 80 à 120 reais.



terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mais um ponto para Internet! Via satélite com dívidas nos EUA!

Você lembra que falamos aqui sobre duas empresas americanas que geram as rádios via satélite? Uma é a XM e outra é a SIRIUS. Cada uma tinha há 2 anos, 8 milhões de assinantes. Elas se juntaram e hoje esta nova empresa chamada Sirius XM Radio tem nada menos que 20 milhões de assinaturas.
Antes eram assim:




Agora são assim:





Você pode pensar que está tudo certo, mas não ! Leia o que saiu no New YorkTimes:



>>> Ao contrário das Rádios abertas, cuja receita depende de publicidade, as Rádios via satélite oferecem música e programas de entrevistas quase sem intervalos, por assinatura. É como a diferença existente entre a TV aberta e a TV a cabo de qualidade.
Ainda que a Sirius XM seja uma das poucas empresas de mídia cuja receita e número de assinantes vêm crescendo nos últimos anos, as ações do grupo estão abaixo dos US$ 0,15. O balanço da empresa inclui quase US$ 1 bilhão em dívidas que vencem em 2009 e precisam ser refinanciadas mas encontrar um banco que simpatize com os problemas da empresa em meio à crise atual parece impossível.
A Sirius XM conta com quase 20 milhões de clientes pagantes, muitos dos quais pregam as virtudes do serviço, mas o que isso importa quanto a empresa é incapaz de pagar suas dívidas.
A companhia jamais saiu do vermelho, e não há previsões sobre quando poderia fazê-lo. Se somarmos a isso os problemas de Detroit a maioria das novas assinaturas de Rádio via satélite provinha de acordos com as montadoras de automóveis, os obstáculos que a Sirius XM precisa superar no momento em que a recessão se agrava parecem estar se aprofundando.
O setor de Rádio via satélite é relativamente novo, quando o locutor Stern anunciou que começaria a apresentar seu programa na Sirius, em 2004, a empresa tinha menos de um milhão de assinantes. Mas está enfrentando um ambiente de mídia que está se voltando mais ao conteúdo barato distribuído via internet.
A mídia tradicional enfrenta dilema parecido: quem precisa de satélites ou, aliás, rotativas e caminhões de entrega - quando o mundo está recebendo banda larga e Wi-Fi.
Todos esses obstáculos fazem com que os investidores e assinantes da Sirius se preocupem com a possibilidade de que os problemas sejam difíceis demais até para o talento de Mel Karmazin, o combativo veterano do Rádio que serve como presidente-executivo da empresa.
"Conheci Mel quando cobria Rádio, na época em que Rádio era importante", disse Bishop Cheen, analista da Wachovia Capital Markets, em Charlotte, Carolina do Norte. "Ele é um sujeito excelente. Ninguém deve subestimá-lo. Mas o desafio que ele enfrenta é muito complicado. Talvez supere seus poderes lendários".
Em uma manhã recente que envolveria reuniões com credores, e três dias antes da assembléia anual de acionistas da Sirius (um evento belicoso), Karmazin me concedeu uma entrevista na sala de reuniões da sede da Sirius XM.
Ele disse que preferiria me receber em instalações menos suntuosas, em algum lugar como Queens, mas que a empresa tem um contrato de locação de longo prazo na região central de Manhattan, assinado, ele aponta, antes de ele assumir a presidência.
Ele falou sobre a crise econômica, e contou sobre os problemas financeiros que já teve de enfrentar ao longo da sua carreira entre os quais, por exemplo, emprestar dinheiro pessoal à Infinity Broadcasting, uma rede de Rádio que ele ajudou a criar no começo dos anos 80, para que ela mantivesse os salários dos funcionários em dia.
"Não creio que o desempenho das ações esteja relacionado ao desempenho da empresa", ele diz. "O problema é o balanço da companhia e nossa necessidade de refinanciar dívidas".
Ironicamente, um dos motivos da fusão era que isso facilitaria levantar dinheiro. Infelizmente, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos demorou um ano e meio para aprovar o acordo.
O problema mais premente da Sirius XM é refinanciar suas dívidas, que incluem quase US$ 1 bilhão a vencer em 2009, com os primeiros US$ 193,5 milhões vencendo em fevereiro. A tarefa é muito difícil agora, dado o congelamento dos mercados de crédito.
Fonte: The New York Times

Meu amigo Marcelo Guido, locutor e um apaixonado por rádio, me enviou uma matéria , sobre rádio veicular na internet, que acho interessante postar aqui. Sabemos que hoje é possível "sintonizar" uma rádio web através de telefone celular, mas ter um aparelho com esta específica função dentro de um carro ainda é novidade. Eu mesmo (já citei aqui) conectei meu celular Moto Q da Motorola com Windows Mobile 5 na radio web da Escola de Rádio fazendo o trajeto Barra - Humaitá. Em tempos de crise com o Rádio Digital, já sabemos que a internet faz parte do futuro. Não por ser o caminho ideal, mas por total falta de opção. Leia abaixo:



>>> Em breve, as opções de rádio via satélite que existem nos EUA deverão ganhar mais um concorrente, além dos antigos sistemas AM e FM: as rádios online devem sair dos computadores e irem também para os painéis dos carros. Pelo menos é isso o que afirma a empresa alemã Blaupunkt e o portal MiRoamer, que prometem apresentar a novidade, chamada de MiRoamer Internet Radio, na CES, que começa no próximo dia 8.Para livrar seus usuários de pagarem mais de uma conta de conexão 3G no fim do mês, os primeiros aparelhos deverão se conectar à Internet a partir de um dispositivo externo, como o iPhone 3G por exemplo. Em caso de falta de conexão, o aparelho deverá funcionar como um rádio comum.De acordo com o site Motor Autorithy, a Blaupunkt afirma que alguns fabricantes deverão oferecer o MiRoamer como opcional para seus veículos, sem especificar marcas ou prazos.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

No fundo, todos suspeitavam...


Juro que não gostaria de iniciar o ano com esta bomba, mas com o título "RÁDIO DIGITAL É ABANDONADO POR HÉLIO COSTA", o site Rádio Agência informa o que já suspeitávamos. Será que nosso Ministro é somente um bom repórter? Ele prometeu o Rádio Digital para o segundo semestre do ano passado. Mas, parece que alguma coisa aconteceu nos bastidores... Lamentável.


Aqui está a matéria:


>>> A mudança de posição foi radical. Depois de ter defendido abertamente durante quase três anos e meio o padrão de Rádio Digital norte-americano (Iboc ou HD), apresentando-o como o único aceitável para o Brasil, o ministro das Comunicações, Hélio Costa (foto), acaba de retirar seu apoio àquela tecnologia, também preferida pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).


O ministro reconhece agora o que todos os técnicos independentes vinham afirmando desde 2006: em todo o mundo, a tecnologia de Rádio Digital ainda tem muitos problemas que não permitem sua adoção no Brasil. O recuo de Hélio Costa, embora tardio, é um fato positivo, pois seria muito pior se o País adotasse o padrão Iboc. O maior prejuízo ficaria com as 5 mil emissoras de rádio brasileiras, que seriam levadas a investir numa tecnologia que ainda funciona precariamente. O que mais estranhou os observadores nesse episódio foi a posição da Abert, ao defender apaixonadamente o padrão norte-americano, mesmo diante da comprovação de seus problemas.


Hélio Costa anunciou sua nova posição no final do ano, em artigo no jornal O Estado de Minas (leia-o no site Caros Ouvintes), em resposta à jornalista e professora Nair Prata, que havia cobrado do ministro, no início de dezembro, o cumprimento de suas promessas quanto ao Rádio Digital.
Entre as diversas opiniões citadas no artigo de Hélio Costa, uma das mais convincentes foi a de Sarah McBride, editora de tecnologia do Wall Street Journal.


Na realidade, o jornal norte-americano apenas confirmou a conclusão já conhecida havia muito tempo: depois de quase 5 anos de introdução nos Estados Unidos, a nova tecnologia digital não conta hoje sequer com 10% da adesão das emissoras.


Para se ter idéia da baixa penetração do Rádio Digital nos Estados Unidos, basta lembrar que, do lado dos ouvintes, mesmo com preços subsidiados, apenas 0,15% da população norte-americana adquiriu seu receptor digital.
Uma das características do padrão conhecido pelo nome de In Band on Channel (Iboc) ou HD Radio, criado pela empresa Ibiquity, é utilizar o mesmo canal de freqüência para transmitir um único programa, simultaneamente, tanto no modo analógico quanto no digital. A idéia é excelente, mas, até agora, o sistema não tem funcionado de forma satisfatória.


Nas transmissões em AM e FM, o padrão Iboc apresenta, entre outros, o problema do atraso (delay) de 8 segundos do sinal digital, em relação ao analógico. Como o alcance do sinal digital é menor do que o analógico, nos limites de sua propagação, a sintonia oscila entre um e outro, com grande desconforto para o ouvinte.


Embora pareça ser a grande saída, a idéia de usar o mesmo canal para transmissões analógicas e digitais, adotada pela empresa Ibiquity, não tem tido sucesso na prática. O fato indiscutível é que essa tecnologia ainda não está madura e apresenta diversos problemas sérios, como a impossibilidade de se utilizarem receptores portáteis - pois o consumo de energia é tão elevado que as baterias se descarregam em poucas horas.


Na Europa, outras tecnologias têm sido propostas em faixas de freqüências exclusivas para o Rádio Digital, o que, no entanto, obrigaria à troca de todos os receptores. Conclusão: ainda temos que esperar que o mundo desenvolva uma solução melhor para a digitalização do Rádio.


O ministro Hélio Costa, desde que tomou posse no Ministério das Comunicações, em julho de 2005, tem anunciado numerosos projetos puramente imaginários que nunca se concretizam ou que se revelam inviáveis.


Na abertura do evento internacional Américas Telecom, em outubro de 2005, em Salvador (Bahia), ele anunciou que o Brasil já vivia "a era do rádio digital" (quando apenas algumas emissoras iniciavam os primeiros testes com o padrão norte-americano HD Radio ou Iboc). Na mesma ocasião, anunciou ao auditório que a Grande São Paulo veria as imagens da Copa do Mundo de 2006 com imagens da TV digital, que só entrou no ar em 2 dezembro de 2007.


Entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 2005, afirmou categoricamente que o Ministério das Comunicações iria investir não apenas o montante de R$ 600 milhões anuais dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), bem como o saldo acumulado então superior a R$ 4 bilhões.


Até hoje o Brasil não utilizou praticamente nada do Fust. No ano de 2006, o ministro garantiu que o Japão havia concordado em instalar uma indústria de semicondutores (circuitos microeletrônicos) no Brasil, em contrapartida à escolha do padrão de TV digital nipo-brasileiro.

Na verdade, o Japão jamais prometeu essa fábrica.



Ethevaldo Siqueira - O Estado de S.Paulo
Fonte: AdNews